Quando chega a época natalícia lembro-me sempre desta música e o quanto ela representou na minha juventude e os meus Natais.
Apesar de ter celebrado tipicamente o Natal e de ter sido uma privilegiada na convivência familiar, tive sempre um sentimento profundo de tristeza e de impotência por ter um olhar mais abrangente acerca do Natal dos outros, a exaltação da pobreza dos esquecidos.
Naqueles anos criou-se-me a esperança de que os poderosos fizessem algo, que alterassem um mundo feito de injustiças e desigualdades.
Hoje, sem olhar para muito longe vejo o meu país com mais esquecidos e mais indiferença. Os poderosos, esses, andam de mão dada com o que de pior há no ser humano.
Da Ambição à Corrupção exercitam puros actos de egoísmo e de maldade.
Lembro a música. Não só pelas crianças de Belfast mas por todas as crianças e famílias que não sabem o que é um Natal, que não conhecem outra coisa nos dias senão um calendário feito de horas, em que cada minuto, cada segundo, conta a sobrevivência.
Ganham as fomes, as guerras, as doenças, a solidão.